10 mulheres que acabaram desaparecidas e mortas na época da ditadura

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Comissão Nacional da Verdade (CNV) é o nome da comissão que investigou as graves violações de direitos humanos cometidas entre 18 de setembro de 1946 e 05 de outubro de 1988, por “agentes públicos, pessoas a seu serviço, com apoio ou no interesse do Estado” brasileiro, ocorridas no Brasil e também no exterior. Essa comissão foi composta de sete membros nomeados pela presidente Dilma Rousseff, auxiliados por assessores, consultores e pesquisadores

Dois anos e sete meses depois de formalmente instalada, a Comissão Nacional da Verdade entregou no dia 10 de dezembro de 2014 o relatório final de seus trabalhos apontando a comprovação da ocorrência de violações de direitos humanos durante o período compreendido entre 1946 e 1988, mais notadamente durante a ditadura militar, que se estendeu entre 1964 e 1985. O trabalho se concentrou, especialmente, sobre quatro condutas, em razão de sua gravidade: tortura (inclusive violência sexual); morte (execução sumária, arbitrária ou extrajudicial e outras mortes imputadas ao Estado); desaparecimento forçado e ocultação de cadáver.

Dentre as pessoas que tiveram suas identidades reveladas no relatório entregue pela Comissão Da Verdade, separamos a história de 10 mulheres que foram vítimas da ditadura:

AUREA ELIZA PEREIRA

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Aurea nasceu na cidade de Monte Belo, em 1950, interior de Minas Gerais. Com 17 anos, passou no vestibular do Instituto de Física da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Na universidade, participou ativamente do movimento estudantil. Neste período, conheceu Antônio de Pádua Costa e ArildoValadão. Em fevereiro de 1970, casou-se com Arildo. Em meados do mesmo ano mudou-se para o sudeste do Pará, onde passou a trabalhar como professora. Integrava o Destacamento C da guerrilha. Aurea foi vítima de desaparecimento forçado durante a Operação Marajoara, em 1973.

ANA ROSA KUCINSKI / ANA ROSA SILVA

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Nascida em São Paulo, em 1942, Ana Rosa Kucinski era filha de judeus poloneses que imigraram para o Brasil na primeira metade do século XX. Nos primeiros anos da década de 1960, iniciou seus estudos na Universidade de São Paulo (USP), onde concluiu a graduação  em química no ano de 1967. Tornou-se professora do Instituto de Química da USP e prosseguiu seus estudos na mesma universidade. Em 1972, Ana Rosa concluiu o doutorado em Filosofia. Despareceu aos 32 anos de idade na companhia de seu marido, Wilson Silva, em São Paulo. Em outubro de 1975, foi demitida pelo Instituto de  Química por abandono de emprego.

HELENIRA RESENDE DE SOUZA NAZARETH 

Nascida em Cerqueira César (SP), mudou-se para Assis (SP) aos quatro anos, onde cresceu. Lá iniciou sua militância estudantil. Mudou-se para a capital, onde cursou Letras na Faculdade de Filosofia, Ciência e Letras da Universidade de São Paulo (FFCLUSP), na qual foi eleita presidente do Centro Acadêmico. Em 1968, Helenira, que já era militante do Partido Comunista do Brasil (PCdoB), passou a viver na clandestinidade. Nesse período, morou em vários lugares, antes de mudar-se para o sudeste do Pará, onde residiu na localidade conhecida como Metade. Integrou o Destacamento A da guerrilha, que passou a levar seu nome após sua morte. Em setembro de 1972, Helenira teria encontrado tropas das Forças Armadas e atirado contra os soldados. Em seguida, teria tomado tiros de metralhadora, sido presa e torturada até a morte.

JANE VANINI

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Jane nasceu em 1945, e cresceu em Cáceres, no Mato Grosso. Em 1966, mudou-se para São Paulo, onde cursou Ciências Sociais na Universidade de São Paulo (USP). Em 1969, se aproximou da Ação Libertadora Nacional (ALN). Identificada pelos órgãos de segurança, que passaram a procurá-la, em meados de 1970 consegue sair do país com destino ao Uruguai. Vai ao Chile e o golpe de estado de setembro de 1973, dando início à ditadura do general Pinochet, obriga Jane a entrar para a clandestinidade. Em meados de 1974, muda-se para Concepción. É lá que, em dezembro daquele ano, Jane morre em um enfrentamento com as forças da repressão chilena.

LOURDES MARIA WANDERLEY PONTES

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Nascida em Olinda (PE), Lourdes iniciou seus estudos em Recife, que foram interrompidos pelo início da sua militância política, em 1968. No ano seguinte, casou-se com Paulo Pontes da Silva e o os dois se mudaram para Natal (RN) para escapar da perseguição política. Após a prisão de Paulo, Lourdes mudou-se para o Rio de Janeiro, onde passou a viver na clandestinidade. Lourdes foi morta em 1972, em ação comandada pelo DOI-CODI do I Exército, no RJ.

HELENY FERREIRA TELLES GUARIBA

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Nascida em São Paulo, Heleny Ferreira Telles Guariba era natural de Bebedouro. Formou-se em Filosofia pela Universidade de São Paulo (USP). Lecionou, montou e dirigiu peças de teatro até a publicação do Ato Institucional nº 5 (AI-5), que interrompeu seu trabalho. Heleny militou na Vanguarda Popular Revolucionária (VPR) durante o ano de 1969. Após sofrer torturas, desapareceu em 12 de julho de 1971, no Rio de Janeiro (RJ), depois de ter sido presa por agentes do DOI-CODI do I Exército, no Rio de Janeiro, junto com seu companheiro, Paulo de Tarso Celestino da Silva.

MARIA CELIA CORRÊA

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Carioca, nascida em 1945, Maria Celia era funcionária de banco e estudante de Ciências Sociais na Faculdade Nacional de Filosofia (atualmente, Universidade Federal do Rio de Janeiro) até o início do ano de 1970. Junto aos irmãos, aderiu à militância engajada do PCdoB e, em 1971, seguindo a orientação do partido de organizar a guerra de guerrilha no campo, mudou-se para a região do Araguaia. Pertenceu ao Destacamento A, sendo conhecida como Rosa ou Rosinha.

MÓNICA SUSANA PINUS DE BINSTOCK

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Mónica Susana Pinus de Binstock nasceu em Buenos Aires, capital da Argentina. Desde de 1970 Mónica atuava como militante da organizaçãode luta armada Montoneros e da Juventude Peronista. Em 1975, pouco antes da instalação da ditadura militar argentina, Mónica foi baleada em um confronto com um grupo ligado a Aliança Anticomunista Argentina conhecida como Triple A. Foi levada para o hospital e sequestrada no mesmo para ser submetida à sessões de tortura. Entrou no Brasil junto com um companheiro de militância, Horacio Campigia, no dia 12 de março de 1980, data de seu desaparecimento.

 

PAULINE PHILIPE REICHSTUL  

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Natural de Praga e filha de judeus poloneses sobreviventes da Segunda Guerra Mundial, Pauline viveu pouco tempo na Tchecoslováquia. Quando tinha 18 meses, a família mudou-se para Paris, onde ficou até 1955, ano em que migraram para o Brasil. Ingressou na VPR e recebeu treinamento militar em Cuba. Pauline foi morta em janeiro de 1973, no episódio conhecido como massacre da Chácara São Bento.

SOLEDAD BARETT VIEDMA

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Soledad nasceu no Paraguai e teve a sua vida muito conturbada desde criança, uma vez que seus pais e seu avô eram militantes de esquerda e constantemente tinham que mudar de país por questões de segurança. Desde a adolescência, Soledad militava no movimento estudantil. Enquanto vivia em Montevidéu, em 1962, com 17 anos, Soledad foi raptada por um grupo neonazista que tentou obrigá-la a gritar palavras de ordem em exaltação a Hitler e contrárias à Revolução Cubana. Como Soledad resistiu, os sequestradores gravaram em sua pele uma cruz gamada, símbolo nazista. Em 1971, Soledad veio ao Brasil e foi morta em janeiro de 1973, no episódio conhecido como massacre da Chácara São Bento.

“Para que se conheça, para que não se esqueça, para que nunca mais aconteça.”

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